A série volta com uma segunda temporada tensa e confusa

A segunda temporada da série baseada no livro homônino de Jay Asher começa 5 meses após a morte de Hannah Baker (Katherine Langford), quando o julgamento está para começar. Se na primeira temporada acompanhamos as 13 fitas, desta vez seguimos polaroides que aparecem misteriosamente no armário de Clay Jensen (Dylan Minnette).

Passou tempo o suficiente para Clay começar um relacionamento com Skye (Sosie Bacon), uma garota espirituosa, porém frágil, que prova que o namorado, definitivamente, possui um tipo. Clay não foi chamado para depor nem pela promotoria de justiça nem pelos defensores e ele está confuso do motivo de ninguém querer que ele conte sua verdade. Enquanto isso, aqueles que deporam ou estão prestes a prestarem depoimento – incluindo o fotógrafo Tyler (Devin Druid), a psicologicamente frágil Jéssica (Alisha Boe), o sempre em conflito Zach (Ross Butler) e, voltando para a escola com a capacidade diminuída após o que aconteceu na última temporada, Alex (Miles Heizer) – estão recebendo ameaças e avisos sobre o que irá acontecer se eles revelarem segredos. Quem está enviando as ameaças? É o maldoso Bryce (Justin Prentice) ou um dos idiotas intermitentemente chorões do time de baseball? E quem é responsável pela distribuição das escandalosas polaroides mostrando que Hannah foi apenas uma das vítimas do problema desenfreado de assédio sexual da escola?

Uma das acusações feitas contra a primeira temporada foi que fez parecer que o suicídio pareceu ser a única opção para Hannah. A segunda temporada recompensa isso agressivamente. O primeiro episódio começa com um aviso de 45 segundos, todos os episódios terminam com um número e um telefone para pedir ajuda e, vários dos episódios trazem o aviso de gatilho no início. Os pais, dopados, sem noção e incapazes de se comunicarem com seus filhos na primeira temporada, ficaram assustados com a abundância do aviso “Há algo que você quer conversar com a gente?”. O conselheiro de orientação Porter (Derek Luke) é perseguido pelas coisas que ele deveria ter falado e feito.

Infelizmente, a execução da temporada é frequentemente triste. E mesmo eu não tendo sentido que a primeira temporada engajou na exploração da tristeza, eu não posso dizer o mesmo da segunda temporada. Isso acontece especialmente nos últimos episódios.

Utilizando-se do julgamento como um dispositivo estruturado talvez não tenha sido uma ideia ruim, exceto que não há nenhum aspecto do julgamento que não é absolutamente ridículo. O julgamento também abre a porta para episódios que contenham a narrativa (que não é de Hannah) para personagens que assumem a posição, narradores que revelam que todo mundo em “13 Reasons Why” falam da mesma forma e com clichês. Nenhum dos personagens que agora entopem o que era uma história bastante limpa na primeira temporada, possui uma voz distinta.

Falando agora do elenco, as interpretações geralmente funcionam. Boe e Heizer possuem arcos interessantes que os permitem brilhar. O Justin (Brandon Flynn) está no pior e mais implausível especial após a escola, uma sobrecarga que amarra a série em uma epidemia nacional, ao mesmo tempo, eu acho seu trabalho convincente. Bacon é fofa e e é irritante quando a série basicamente esquece-se dela. Muito mais do que teve na primeira temporada, Bryce (Prentice) é uma completa caricatura de um vilão, mas muito melhor do que vários de seus seguidores do baseball, cujos comportamentos consistem em esbarrar nas pessoas no corredor, proferindo insultos homofóbicos.

O fim da segunda temporada encaminha para uma terceira que talvez seja até mesmo menos justificável que a segunda, que embora seja desnecessária, pode ser que a usem para corrigir os erros persistentes até então.

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