Assassinato no Expresso do Oriente é, antes de tudo, uma belíssima obra literária da autora Agatha Christie, ainda hoje uma das escritoras mais vendidas no mundo. Um remake, o livro foi adaptado aos cinemas originalmente em 1974, com grande elenco que contava com Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Sean Connery, Anthony Perkins, e o ilustre Albert Finney, no papel do detetive Hercule Poirot. Um filme de grande sucesso da época e que vale a pena ser assistido, independente da nova obra.

O remake que chega as telas nos 44 minutos do segundo tempo de 2017 já tem um detalhe muito importante em comum com o primeiro filme: Um elenco ilustre.
As atuações de Daisy Ridley, Michelle Pfeifer, Leslie Odom Jr., Josh Gad, Judi Dench e Willem Dafoe transpiram emoções e cativam a plateia de uma forma que não temos palavras pra explicar.
Também de grande importância, Manuel Garcia-Rulfo, Olivia Colman, Penélope Cruz, Lucy Boynton, Sergei Polunin, Derek Jacobi e Marwan Kenzari conseguem, com poucas falas, ganhar a simpatia e interesse do público.

Ambientado no trajeto entre Istambul e Londres, a direção de fotografia é de deixar o queixo caído. Com uma hora e 54 minutos de duração, mais de dois terços desse tempo é ambientado dentro de um trem. Com espaço restrito, criado em alta fidelidade ao vagão original do Expresso do Oriente, as imagens não são sufocantes. Pelo contrário, a forma como esses cenários são mostrados fluem em perfeita harmonia com o roteiro: sendo expansivos em sua maioria, e ainda assim restritos em breves momentos intrigantes.

Junto a belíssima fotografia, vemos uma direção de arte tão boa quanto: Os mínimos detalhes do trem, de figurino e maquiagem se adequam a história como uma luva. A caracterização é convincente a ponto de fazer com que o expectador desconecte o ator da personagem a primeira vista. Os detalhes no trem exalam classe e luxo da década de 30, e acabam por deixar uma vontade de visitar o Expresso do Oriente (que atualmente, faz as rotas Paris-Istambul, Londres-Veneza, Paris-Veneza e Berlim-Paris, porém possui o mesmo exterior que vemos no filme)

Kenneth Branagh é a única falha do filme, tanto na direção como na atuação. Infelizmente, todos os pontos negativos do filme são de sua responsabilidade: A direção geral, que deixa a trama lenta e cansativa em diversos momentos, mesmo com um roteiro intrigante e muito bem pontuado. E a atuação do icônico Hercule Poirot, que, de forma triste para os fãs do personagem, ficou caricato demais, seja na aparência, como na expressão. Um exemplo é o sotaque belga que deixa a desejar já nas primeiras cenas.

De modo geral, o filme é uma adaptação interessante de um tipo de mistério que raramente vemos nos cinemas da atualidade, mas que em breve veremos novamente, já que um filme de “Morte Sobre o Nilo”, outra obra de Christie que também é protagonizada por Poirot, foi anunciada recentemente.

Assassinato no Expresso do Oriente chega aos cinemas em 30 de novembro.

Postado por Heloisa Ferrari